Dramaturgos da Amazônia em cena Imprimir

 


O espetáculo "A Casa da Viúva Costa", apresentado
durante o Seminário de Dramaturgia Amazônida

As diversas formas de manifestação da arte possuem um percurso histórico de produção. Em relação à arte cênica e ao teatro, é possível existir um número expressivo de obras que integrem a cena de uma determinada cidade ou região, mas sejam desconhecidas do público. Este é o caso da Amazônia, tem uma rica história, com grandes autores e textos, mas ainda é pouco conhecida.

Para reavivar essa memória e divulgar essas obras para um amplo público interessado em artes cênicas, a professora e pesquisadora Bene Martins, da Escola de Teatro e Dança da Universidade Federal do Pará (ETDUFPA), coordena, desde 2009, o Projeto de Pesquisa "Memórias da Dramaturgia Amazônida: Construção de Acervo Dramatúrgico".

"A proposta é coletar, reunir, organizar, tratar e divulgar textos que foram escritos por dramaturgos da região, construindo um acervo com materiais que estavam dispersos. Assim, ao revelar esse tesouro que estava escondido, os amantes do teatro poderão conhecer a dramaturgia amazônida dos pioneiros das letras escritas para os palcos", diz a coordenadora.

Uma importante parte do acervo dramatúrgico – dez peças do dramaturgo Nazareno Torinho – já está disponível no site http://dramaturgiaamazonida.ufpa.br/. Outras, encontradas em seções de obras raras, estão em fase de digitação para serem inseridas no site do Projeto.

A pesquisa inicia com visitas às bibliotecas públicas de Belém, como a Arthur Vianna, da Fundação Cultural do Pará Tancredo Neves, e à Academia Paraense de Letras, a fim de se procurar, nesses espaços, textos antigos. Outras bibliotecas e acervos particulares ainda serão visitados e, de acordo com a professora, certamente, contribuirão para o enriquecimento do Projeto.

A iniciativa já catalogou em torno de 45 nomes de autores e encontrou 70 peças, sendo de 1808 a mais antiga, intitulada "A felicidade do Brasil", de Bento de Figueiredo Tenreiro Aranha. "Infelizmente, várias peças ainda não foram encontradas, mas vamos persistir", diz Bene Martins.

Material disponível em arquivos eletrônicos e impressos

Depois de organizado, o material passará pelo tratamento adequado. "Algumas das primeiras peças foram encontradas entre as obras raras da Biblioteca Arthur Vianna, em estado precário de conservação", lembra a professora. Depois de digitalizados, os textos serão reunidos no endereço eletrônico do acervo e também terão publicação impressa. Para isso, é necessária a autorização do autor ou de sua família. Esse critério só é preterido se o material já tiver caído em domínio público.

O Projeto começou abrangendo dramaturgos de Belém e, aos poucos, está se espraiando para outros municípios da capital paraense. De acordo com a coordenadora, a intenção é expandir o trabalho para o maior número possível de cidades paraenses. No futuro, a meta será ainda mais ambiciosa: contemplar dramaturgos de todos os Estados da Amazônia brasileira.

Uma das ações decorrentes da iniciativa é o Seminário de Dramaturgia Amazônida, o qual presta homenagens a grandes nomes da cena. Um dos objetivos do evento, assim como do Projeto, é contribuir para que os jovens estudantes de Teatro e de áreas afins conheçam os dramaturgos e as produções mais antigas.

Na primeira edição, em 2010, Nazareno Tourinho foi o homenageado. Em 2011, o dramaturgo Ramon Stergmann recebeu as honrarias. Além do paraense Paulo Faria, compareceram ao evento alguns dramaturgos do Amazonas, como Márcio Souza, Jorge Bandeira e Sérgio Cardoso.

Segundo a docente, a terceira edição do Seminário de Dramaturgia Amazônida, realizada em 2012, foi ainda mais abrangente. Com o intuito de promover o encontro entre dramaturgos, alunos, pesquisadores, professores e demais interessados em artes cênicas, a programação incluiu pesquisadores e dramaturgos do Amapá, do Acre, de Roraima e de Rondônia e contou, também, com a participação do poeta e dramaturgo João de Jesus Paes Loureiro. O encontro, que homenageou o escritor paraense Levi Hall de Moura – já falecido, que deixou sete peças escritas, as quais já foram autorizadas pela família para serem incluídas no site do acervo –, promoveu, ainda, apresentações dos espetáculos A Casa da Viúva Costa e No Trono.

Para 2013, os planos são realizar o IV Seminário Pan-Amazônico envolvendo outros países e, assim, tornar o evento de abrangência internacional. O dramaturgo Paes Loureiro será o homenageado da edição.

Primeiro volume da coletânea está em fase de impressão

A iniciativa também conta com a colaboração de docentes da ETDUFPA e quatro bolsistas (dois efetivos e dois voluntários, estudantes de Licenciatura em Teatro da Escola). Há, também, a contribuição externa da pesquisadora Zeffa Magalhães, servidora da Biblioteca Arthur Vianna.

Outras ações estão programadas para breve. Entre elas, a releitura e remontagem de textos clássicos da dramaturgia, como a peça de Nazareno Tourinho Nó de quatro pernas, que completou 50 anos de publicação em 2011. Autorizados pelo dramaturgo, dois bolsistas são responsáveis pelo processo. "Nessa encenação, o texto será seguido na íntegra. Trata-se de uma releitura, mas sem interferência na escrita do autor. Assim, o público poderá conhecer uma das peças revitalizadas pelo acervo", destaca Bene Martins.

A organização de coletâneas, com textos de dramaturgos paraenses, é outra ação a ser desenvolvida. Já há uma coletânea concluída, organizada  por Bene Martins e Zeffa Magalhães, que conta com 18 textos. A obra está no processo de impressão pela Editora Valer-AM. A docente revela, inclusive, que já há material para um segundo volume.

A pesquisadora ressalta que há dois projetos de Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) de discentes de Licenciatura em Teatro encaminhados, bem como dois projetos de mestrado. "O Projeto busca, na medida do possível, preencher essa lacuna de pesquisa que existia no Pará e na Amazônia. Os dramaturgos revisitados e suas famílias estão gratos e felizes com a iniciativa. Essa receptividade é gratificante e serve como motivação para a continuação das atividades. Além disso, ao valorizar essa memória, teremos valiosas referências de autores e textos clássicos da dramaturgia amazônida para futuras encenações e estudos", finaliza Bene Martins.

 

Fonte: http://www.ufpa.br/beiradorio/novo/.

 

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